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PESPECTIVAS DA ODONTOLOGIA – PARTE II

Em crônica anterior destaquei as perspectivas sombrias que vêm preocupando a classe odontológica.
18/06/2018

Prof. MSc José Carlos F. Lago

Em crônica anterior destaquei as perspectivas sombrias que vêm preocupando a classe odontológica. Pois bem, longe de minimizar os efeitos que a pulverização de ofertas de serviço tenha se refletido na queda de valores, e por  estar ciente que a vassalagem crescente a planos de saúde e convênios tenha contribuído para afunilar as perspectivas de êxito profissional, nesta sequência  quero fazer algumas reflexões a respeito.

 Lembro que há alguns anos atrás, quando me iniciei na rede social, postei um comentário a respeito de uma matéria publicada na revista Veja - São Paulo, que parece-me agora oportuno reproduzir, pois é exemplo de um  reconhecido “valor agregado” que convém identificar. Nela, o articulista, num tom entre divertido e irônico, comentava o novo hit da moda nos salões de beleza, que é a ascensão das atividades dos “designers de sobrancelhas” e a consequente disparada nos preços cobrados pelos profissionais que as executam.   O serviço, prestado por manicures ou maquiadoras que antes valia não mais do que 10 a 20 reais, cede espaço para os autodenominados “designers” que atingem o pico (das galáxias?rsrs) de 220 reais pela atividade, e com agendas aquecidas. Algo está errado? Não! Apenas descobriram valores até então ocultos ou despercebidos e os expuseram à percepção de seus clientes os quais, encantados com essa visão antes insuspeitada e convictos do maior valor intrínseco, não apenas pagam agradecidos, como  divulgam as boas novas. De maneira alguma subestimo o valor destes profissionais, antes os elejo como ícones para estudos comportamentais que podem gerar sugestões úteis a colegas que se veem torturados pelo esvaziamento dos valores agregados às próprias ocupações.  Isto não é exaltação de futilidades, é antes um convite ao estudo das leis psicossociais que conduzem o comportamento humano para dele tirar ilações úteis para a vida e profissão. Este tema sobre perspectivas profissionais  precisa ser destacado para nortear novas atitudes. Há que buscar o valor onde de fato ele está e expô-lo claramente ao paciente, e particularizando nossa área de atuação, mergulhar fundo nos princípios biológicos que regem o campo e conscientizando-o das implicações inerentes. Destacando a área ortodôntica,  procurem afastar-se do surrado bordão de exaltação à beleza plástica do sorriso para levantar   auto-estima,  que tem lá sua relativa importância, mas que aproxima perigosamente o ato das frivolidades estéticas. E tal como produto de uma unanimidade de propostas idênticas, cai no patamar das “commodities” e o valor despenca.

 O valor real está no que subjaz, nas numerosíssimas informações de cunho biológico que o paciente nem de longe desconfia, e que o fariam olhar sob outro ângulo, menos fútil e com mais respeito as propostas terapêuticas agora percebidas e revestidas por outros valores.

 Uma das conclusões a que chego é que é impossível comprimir os profissionais e atrelá-los a um patamar único de valor, porque são na essência heterogêneos, cujas individualidades são resultantes de uma somatória de experiências e conquistas que só vêm à custa de  dedicação e estudo. O auspicioso da história é que ninguém é obrigado a permanecer onde está, porque o caminho é aberto e o horizonte é amplo para quem se dispõe a abandonar a sombra e decolar às expensas de aprimoramento contínuo. Claro que a batalha é árdua, muito mais cômodo é sentar-se à beira do caminho e chorar, porém, resultados diferentes contemplarão atitudes diferentes.  Este, queridos colegas, é o antídoto certo, cuja dosagem pode parecer inócua, mas é a única verdadeira que permitirá rearmar-se social,  moral e profissionalmente. A história pessoal começa a virar quando a auto-imagem é reestruturada, refletindo-se  em uma atitude pró-ativa, vencedora. É a forma natural de revelar-se por SABER mais, e consequentemente, VALER mais.

             A todos os colegas um forte abraço