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HOMO NALEDY: um exemplo de oclusão funcional

O que vem a ser um SISTEMA estomatognático íntegro, cuja forma e função refletem um sinergismo entre seus elementos estruturais que o torna apto a exercer seu trabalho de maneira eficiente e operacional até à senilidade?
22/10/2019

EXPOSIÇÃO I

O que vem a ser um SISTEMA estomatognático íntegro, cuja forma e função refletem um sinergismo entre seus elementos estruturais que o torna apto a exercer seu trabalho de maneira eficiente e operacional até à senilidade? E por que é justificada essa preocupação em eleger um padrão referencial?

Como o panorama de nosso campo de ação na ortodontia e ortopedia dentofacial é a correção de más oclusões consequentes de SISTEMAS estruturalmente desequilibrados, nada mais natural do que eleger um paradigma representado pela própria NATUREZA num exemplo cabal que exprima a perfeição materializada desse binômio forma/função que sirva de orientação para nossa conduta terapêutica. Afinal, já dizia Juvenal, poeta romano do I século da era cristã: “Nunca a Natureza diz uma coisa, e a sabedoria, outra”. Uma afirmação que permanece válida, pois trata-se de uma verdade, que é atemporal.

Dito isso, acompanhem-me na tela...

Esta mandíbula pertence a uma recém descoberta raça de hominídeos chamada “Homo Naledi”, próxima dos Austropitecos, e que viveu há mais de 2 milhões de anos. Presta-se a análise cuidadosa, onde se constata que o esquema oclusal balanceado bilateral é natural, fruto de uma “função” que manifesta-se como “forma” espontaneamente em sua NATUREZA biológica como consequência da interação dos fatores fisiológicos de equilíbrio. Este tema foi abordado amplamente por autores como Gysi, Thielemann, Hanau, Planas, Beyron e tantos outros, cujas observações podem ser referenciadas como “LEIS”, que como tais, são atemporais, incontestáveis e reproduzíveis à saciedade, o que é exigência para uma proposta constituir-se como CIÊNCIA. A experiência clínica neste campo da oclusão é fundamental para aconselhar condutas terapêuticas.

Como pode ser observado nesta mandíbula, naturalmente com sua correspondência maxilar, (apontar) essa linha amarela percorre as pontas de cúspides e linhas incisais numa harmonia que corresponde a uma elipse, como veem.

Da mesma forma observamos a linha vermelha (apontar) percorrendo os pontos de contato, e de maneira semelhante, à forma de uma elipse, que tem seu perigeu ( apontar) situado entre o primeiro e segundo molar, e o apogeu (apontar) na região incisal. Ora, se mensurarmos a hemi-largura na região do perigeu encontramos o valor de 31.5mm e o apogeu com 52.4mm. Como curiosidade, sugiro aos colegas a acessarem informações sobre Proporção Áurea e o significado de seu número áureo, obtido ao se dividirem os valores do apogeu e perigeu da figura (apontar) encontrarão o número 1.68, que corresponde a um número áureo, ou proporção áurea, que seria uma representação numérica do equilíbrio entre as formas perfeitas encontradas na Natureza, e que reflete-se na beleza harmônica tanto dos seres biológicos quanto nas proporções arquitetônicas clássicas. É um tema instigante e que acredito ser interessante ser abordado em análises que farei oportunamente. Porém, é apenas uma introdução para as considerações a seguir. Outras aulas se seguirão a esta, sob o tema “funcionalidade ortodôntica”.

EXPOSIÇÃO II

Evidente que não estou sugerindo transferir características faciais desse hominídeo para nossos modelos de beleza masculinos e de nossas beldades, mas simplesmente reproduzir o equilíbrio estrutural daquele sistema como objetivo terapêutico, pois é inegável sua funcionalidade e a espontaneidade de seu desenvolvimento. Ademais, trata-se de um esquema oclusal absolutamente presente atualmente, e representado pelo esquema oclusal balanceado bilateral com suas exigências peculiares de equilíbrio.

Vê-se, portanto, que esta harmonia oclusal não é fortuita, ou gratuita, não surge aleatoriamente sem uma causa que a justifique, e que pelo aspecto da forma mandibular intui-se que reflete uma estrutura cujos componentes são absolutamente sinérgicos entre si, como a forma e situação do plano oclusal e sua íntima relação com as trajetórias condilares, trajetória dos incisivos, alturas cuspídeas, curva de Spee moderada e ângulos funcionais mastigatórios similares em ambos os lados das arcadas dentárias a permitir bilateralidade mastigatória. Isto é fisiologia. É o que o Criador nos oferece como exemplo de Harmonia de Forma e Função.

Exercícios que todos fizeram no período de graduação na faculdade nas aulas de prótese para a montagem de próteses totais empregando o método do desgaste de Paterson com articulador semi-ajustável para determinar o plano oclusivo serve como exemplo de como este plano oclusivo surge espontaneamente com suas peculiaridades de forma consequentes aos graus de angulações das trajetórias condilares e angulações de Bennet aplicadas no articulador. É de uma clareza solar o que isto representa. E o que sugere.

Por isso é ingênuo afirmar que a degeneração do sistema estomatognático em função da alteração da dieta alimentar introduzida pela revolução industrial no século XVIII foi responsável por eleger um esquema oclusal alternativo, adaptado às novas solicitações.

Seria como servir um sistema estomatognático atrofiado com um esquema oclusal igualmente atrofiado, ou seja, com ação mastigatória tipo charneira, ou temporal, que permite apenas toques oclusais verticais. Isto não é natural, e a Natureza não sabe disso, pois dotou anatomicamente nossas ATMs próprias a excursões em lateralidade. Ademais, este esquema oclusal funcional balanceado está ativo e muito presente em nossa sociedade moderna. Em minha dissertalção de Mestrado ocupei-me de mostrar estatisticamente a alta prevalência deste esquema oclusal. Nunca é demais lembrar, por isso repito: “Nunca a Natureza diz uma coisa e a sabedoria, outra”.

Em verdade é impossível amordaçar a Natureza.