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O MODELO INTERPRETATIVO DE UM SISTEMA ESTOMATOGNÁTICO IDEAL – PARTE III

Objetivamente classifico o sistema estomatognático em dois grupos: o sadio e o degenerado.
24/04/2018

Objetivamente classifico o sistema estomatognático em dois grupos: o sadio e o degenerado. O primeiro é fruto de uma resposta espontânea da Natureza a um correto binômio estrutura/função. O segundo, uma displasia neuro-ósteo-dento-músculo-articular. Muito oportuna é a observação de Myron Lieb, quando pontifica: “Sem estrutura, não pode haver função; sem correta estrutura, a função não pode ser correta, e função incorreta pode afetar não apenas uma correta estrutura, mas também o desenvolvimento das estruturas”. De fato, esta definição evidencia algo que se admite como verdadeiro sem exigência de demonstração, pois se apoia na lógica, como todo axioma.

Segundo esse enunciado posso concluir que um sistema é ideal, sadio, quando estruturado a partir de leis naturais, sem sofrer desvios ambientais, e que responda às solicitações inerentes à sua finalidade de maneira eficiente e com mínima entropia (medida da quantidade de desordem de um sistema). Já o degenerado é aquele de eficácia reduzida, fruto de variações do meio que resultam em displasias adaptativas. É este grupo que frequenta nossos consultórios. O outro, passa-nos ao largo.

Ora, presume-se que o sistema sadio exiba uma boa oclusão, e para defini-la, vejamos o que dizem alguns autores de relevo no modelo mecanicista, representado pela Ortodontia clássica e proposto por Angle: a oclusão ideal estaria representada por arcos dentários que descreveriam uma suave curva, com os dentes harmonicamente dispostos de maneira adjacente e em oposição; o arco superior deveria ser ligeiramente maior que o inferior, de forma que as superfícies vestibulares de seus dentes sobreporiam os inferiores, com a chave de oclusão na altura dos primeiros molares permanentes, quando a cúspide mésio-vestibular do primeiro molar superior se posicionaria no sulco mésio-vestibular do primeiro molar inferior. A partir daí a classificação ocupou-se de outras relações para conceituar as classe II e III, com suas subdivisões, mas de caráter eminentemente ESTÁTICO.

Outro autor de relevância, Andrews, também da escola mecanicista, ampliou os requisitos ao descrever as características que uma boa oclusão deve exibir, enunciando-as em seis tópicos, denominados “seis chaves da oclusão ideal” tais como: angulações e inclinações ideais de coroa, ausência de rotações e de espaços interproximais, curva de Spee suave e posições específicas dos primeiros molares permanentes, de maneira que o primeiro molar superior possua três pontos de contato com seus antagonistas, como sua superfície distal da crista marginal contatando a superfície mesial da crista marginal mesial do segundo molar permanente inferior, e sua cúspide mésio-vestibular ocluindo no sulco existente entre a cúspide mésio-vestibular e a mediana do primeiro molar inferior, ao mesmo tempo em que sua cúspide mésio-palatina se adapte à fossa central do primeiro molar permanente inferior.

Como se observa, tais definições referem-se a posicionamento ESTÁTICO na relação maxilo-mandibular, quando sabemos que o sistema, quando em função, exibe relacionamento DINÂMICO. Exatamente na distinção deste aspecto dinâmico que haverá uma dicotomia na avaliação de funcionalidade, a primeira representada pela função mutuamente protegida e a segunda correspondente ao esquema funcional de grupo ou de balanceio bilateral, que serão tema de futuras considerações.

Forte abraço a todos.

Prof. MSc. José Carlos F. Lago