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COMO AGIR FRENTE A TRATAMENTOS ORTODÔNTICOS MAL CONDUZIDOS?

Dando continuidade à crônica anterior onde abordei  a responsabilidade civil do ortodontista, nesta farei algumas considerações pertinentes ao tema.
05/06/2018

Dando continuidade à crônica anterior onde abordei  a responsabilidade civil do ortodontista, nesta farei algumas considerações pertinentes ao tema. Há algum tempo atrás recebi um e.mail de colega referindo-se a um problema de cunho ético que estava afligindo-o, pois, segundo suas palavras,  “... recebi um cliente que apresentava dispositivos ortodônticos fixos instalados já há 3 anos que exibia um aparelho fixo pela metade, mal colado e ainda convivendo com atresia maxilar e mordida cruzada unilateral”. Relata sua opção por dizer a verdade ao cliente ciente da condição de estar pisando em terreno de alto risco. Eu lembraria que  minucioso escrutínio no maior número de possibilidades intercorrentes deve ser feito no sentido de quantificar responsabilidades, e somente a partir daí adotar um comportamento adequado. Mas, seja qual for a decisão, o constrangimento é uma constante e não há como dele escapar.

Pois bem, o primeiro aspecto que abordo é identificar a especialidade como se fora uma obrigação de “meio” e não de “fim”, em outros termos, ela não possui obrigatoriedade de atingir um resultado idealizado, uma vez que deste depende uma série de variáveis imprevisíveis comuns no campo da biologia, sendo porém responsável quando ocorrer uma negligência, imperícia ou propaganda enganosa. É prudente checar o que relata o paciente reclamante, porque muitas vezes ele é o agente primário das falhas que aponta, em termos de colaboração e/ou assiduidade.

O conceito de união da classe pavimenta o caminho nem sempre ético do que chamamos de “corporativismo”, onde interesses ou privilégios de uma classe sobrepõe-se a interesses públicos. Alegar desunião como responsável pela fragilização profissional carece reflexão.  Quem conhece a especialidade ortodôntica sabe que é um campo que acomoda profissionais nem sempre capacitados a exercê-la, e de cujo aventureirismo estamos colhendo frutos amargos, e blindá-los  à guisa de salvaguardar a unidade da classe, que em princípio deve ser unida, é uma fonte de situações constrangedoras quando se tem a obrigação de emitir um parecer de proteção ao transgressor que pode vir a ser “politicamente correto”, mas que  moralmente reveste-se de “cumplicidade no erro”.

Se os pacientes tivessem o condão de vislumbrar as agressões  a que estão sujeitos e evocassem seus direitos de cidadania, a Justiça faria o resto. É essa sensação de impunidade que  grassa no país o alimento desse pessoal impermeável à responsabilidade e à falta de respeito ao próximo.  Nesse sentido o espírito corporativista é um entrave à desintoxicação desse sistema já mórbido, razão pela qual não posso compactuar com o acobertamento sem me sentir igualmente culpado por isso. Sou a favor da transparência, da responsabilidade, do humanismo no pensamento e na ação. Parafraseando Che: “Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás”.

Abraço aos colegas.

P.S. Aos que se interessarem, acessem o site www.ortodontialago.com.br para  outras crônicas.