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CICLO BIOLÓGICO DA OCLUSÃO DENTÁRIA

Equívoco muito comum é a reanatomização com cúspides integras em dentições de indivíduos adultos. Em verdade, estrutura e função são inseparáveis, e não faz sentido supor que a morfologia oclusal com longo histórico funcional seja semelhante àquela presente nos primeiros estágios da dentição, seja ela decídua ou permanente. Do ponto de vista de finalização ortodôntica, tais aspectos são extremamente relevantes. Considerações a respeito os colegas encontrarão no presente vídeo.
Ortodontia Lago
06/04/2020

CICLO BIOLÓGICO DA OCLUSÃO DENTÁRIA

É habitual encontrar na literatura afirmações sobre como devem se apresentar os contatos dentários em máxima intercuspidação habitual (MIH), levando em conta o aspecto íntegro das superfícies oclusais, modelos que são para as reconstruções estéticas e equivocadamente desconsiderando o ciclo biológico da oclusão em função dos naturais desgastes, fruto da função mastigatória fisiológica, natural.

Segundo este modelo de interpretação, tais contatos deveriam ocorrer através de pontas de cúspides e sulcos correspondentes e não por superfícies, porque estas seriam indicativas de abrasões, portanto, patológicas. A partir deste posicionamento, alguns aspectos merecem ponderações. A primeira delas é a premissa, absolutamente verdadeira, de que toda função gera reflexo imediato nas estruturas a que corresponde, pois forma/função é um binômio espontâneo e automático das matrizes funcionais que a determinam. Ponto!

Cúspides íntegras devem estar presentes apenas no início da função mastigatória na dentição decídua, justamente para serem progressivamente abrasionadas pela função exercida que vem a permitir, pelo desengrenamento oclusal, o natural deslize anterior da mandíbula até atingir uma relação de bases ósseas padrão 1, e também a partir do início da dentição permanente, onde o ciclo recomeça segundo o mesmo princípio que reflete uma função mastigatória adequada, bilateral e eficiente.

É lícito concluir, portanto, que contatos através pontos em idade adulta representam uma patologia já que os movimentos mandibulares cêntricos e látero-protrusivos inevitavelmente incluem atrição de superfícies dentárias contactantes. Isto é óbvio.

Já através de superfícies, simetricamente adaptadas, são indicativas de uma dinâmica mastigatória apta a uma eficiente bilateralidade mastigatória. Os que têm alguma dúvida a respeito, convido a analisar o aspecto oclusal de indivíduos que chegaram à senilidade com todos os dentes e estruturas de suporte hígidos e operacionais. Isto nos faz lembrar que “nunca a Natureza diz uma coisa e sabedoria, outra.”

Julgar genericamente abrasão dentária como patologia oclusal revela certa imaturidade na interpretação das leis biológicas. É o que deduzo quando me deparo com as reanatomizações estéticas aplicadas em indivíduos adultos que já deveriam possuir nas faces oclusais a gravação de seu histórico funcional.

Superfícies fisiologicamente abrasionadas vinculam-se às naturais remodelações ósseas e articulares, como pontificaram Gerber,A. & Steinhardt,G. (Dental Occlusion and the Temporomandibular Joint, Quintessence Publishing, 1990) quando analisaram as intercorrências morfo-funcionais de superfícies oclusais e ATMs.

Portanto, a prudência aconselha a adequação de procedimentos estéticos à individualidade do ciclo biológico da oclusão.

Forte abraço a todos os colegas

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